Controle de Estoque para Farmácias: Como Evitar Ruptura e Desperdício ao Mesmo Tempo

Controle de Estoque para Farmácias: Como Evitar Ruptura e Desperdício ao Mesmo Tempo

Uma farmácia em Minas Gerais fez uma auditoria de 90 dias. Resultado: R$ 18.400 em vendas perdidas por ruptura de 12 produtos de alto giro. E R$ 23.600 em produtos parados com risco de vencimento.

Dois problemas opostos, na mesma operação, ao mesmo tempo. Falta nos produtos que vendem. Excesso nos que não vendem.

A causa dos dois é a mesma: ausência de um sistema de controle com critérios definidos de reposição por produto. Esse sistema tem três componentes. Qualquer farmácia independente implementa em 30 dias.

Controle de estoque em farmácias é o conjunto de processos que garantem que cada produto esteja disponível na quantidade certa, nem em ruptura nem em excesso, com reposição baseada em dados de giro real, não em intuição.

Na maioria das farmácias independentes, ele falha por três razões:

  • Reposição por intuição: o comprador pede com base em memória e pressão de representante, sem dado de giro real por produto.

  • Ausência de ponto de reposição definido: sem saber qual nível de estoque dispara a necessidade de comprar, a ruptura é descoberta quando o produto já acabou.

  • Controle no agregado, não por produto: saber que o estoque total é R$ 85.000 não diz quais produtos específicos estão em excesso e quais estão em déficit.

A curva ABC classifica os produtos em três grupos por contribuição de margem ou de giro:

  • Classe A (15%-25% dos itens, 80% da margem): estoque de segurança de 15 a 20 dias. Ruptura de produto Classe A tem impacto desproporcional no resultado.

  • Classe B (25%-35% dos itens, 15% da margem): estoque de segurança de 10 a 15 dias.

  • Classe C (40%-60% dos itens, 5% da margem): estoque de segurança de 5 a 10 dias. Candidatos a redução de compra ou eliminação do mix.

Como detalhamos no artigo Curva ABC no varejo de saúde: como 20% dos produtos geram 80% da margem, a curva ABC por margem é o diagnóstico mais importante de qualquer decisão de estoque no varejo de saúde.

Ponto de reposição é o nível de estoque que, quando atingido, dispara o pedido ao fornecedor, antes que o produto chegue a zero.

Fórmula: Ponto de Reposição = (Giro Médio Diário × Prazo de Entrega) + Estoque de Segurança

Exemplo aplicado: produto com giro de 8 unidades/dia, prazo de entrega de 3 dias, estoque de segurança de 2 dias:

Ponto de Reposição = (8 × 3) + (8 × 2) = 24 + 16 = 40 unidades

Quando o estoque chega a 40 unidades, o pedido é feito. Restam 5 dias de giro enquanto o produto é entregue, zero risco de ruptura.

O ponto de reposição precisa ser configurado no sistema de gestão como alerta automático. Sem alerta, o cálculo não funciona na prática, o gestor não vai verificar manualmente com a frequência necessária.

Estoque máximo é o teto de compra, o nível acima do qual o custo de capital imobilizado supera qualquer benefício de desconto por volume.

Fórmula: Estoque Máximo = Giro Médio Diário × (Prazo de Entrega + Intervalo de Ressuprimento + Estoque de Segurança)

Produto comprado acima do estoque máximo gera: capital imobilizado com custo financeiro de 1,5% a 3% ao mês, risco de vencimento e ocupação de espaço que poderia ser de produto com maior giro.

Giro de Estoque = CMV do período ÷ Estoque Médio do período Dias de Estoque = 365 ÷ Giro Anual

Benchmarks por categoria:

  • Medicamentos de alto giro (genéricos de uso contínuo): giro de 12 a 24 vezes/ano, 15 a 30 dias de estoque. Acima de 30 dias é excesso.
  • Suplementos e wellness: giro de 6 a 12 vezes/ano, 30 a 60 dias.
  • Dermocosméticos: giro de 4 a 8 vezes/ano, 45 a 90 dias.
  • Produtos Classe C (baixo giro): abaixo de 4 vezes/ano, mais de 90 dias de estoque. Candidatos a eliminação.

Como detalhamos no artigo Os cinco relatórios que todo gestor de varejo de saúde deveria ler toda semana, o índice de ruptura nas categorias críticas é um dos cinco indicadores semanais que toda farmácia precisa monitorar.

  1. Semana 1, Curva ABC: exportar vendas dos últimos 6 meses, calcular margem por produto, ordenar e classificar em A/B/C.
  2. Semana 2, Ponto de reposição dos 50 principais Classe A: calcular giro médio diário, prazo de entrega e estoque de segurança por produto. Aplicar a fórmula.
  3. Semana 3, Configurar alertas automáticos no sistema: registrar o ponto de reposição como nível mínimo no sistema de gestão. Alertas automáticos são o que torna o cálculo funcional na prática.
  4. Semana 4, Identificar e agir sobre Classe C em excesso: produtos com mais de 90 dias de estoque são candidatos a encarte de oferta para girar, devolução ao fornecedor ou eliminação do mix.

Três componentes em sequência: curva ABC para classificar os produtos por contribuição de margem e definir a política de estoque de segurança por classe (A: 15-20 dias, B: 10-15 dias, C: 5-10 dias); ponto de reposição calculado com a fórmula (Giro Diário × Prazo de Entrega) + Estoque de Segurança, configurado como alerta automático no sistema; e estoque máximo para definir o teto de compra de cada produto. Os três precisam estar configurados no sistema de gestão, sem automação, o controle manual nunca acontece com frequência suficiente.

Fórmula: Ponto de Reposição = (Giro Médio Diário × Prazo de Entrega do Fornecedor) + Estoque de Segurança. Exemplo: produto com giro de 5 unidades/dia, prazo de 2 dias, segurança de 2 dias: (5 × 2) + (5 × 2) = 20 unidades. Quando o estoque chega a 20 unidades, o pedido é feito, há 4 dias de giro disponível enquanto o produto é entregue. Configure esse número como nível mínimo no sistema de gestão para alerta automático.

Varia por categoria: medicamentos de alto giro (genéricos de uso contínuo): 12 a 24 vezes/ano (15 a 30 dias de estoque); suplementos e wellness: 6 a 12 vezes/ano (30 a 60 dias); dermocosméticos: 4 a 8 vezes/ano (45 a 90 dias); Classe C: abaixo de 4 vezes/ano, sinal de excesso ou candidato a eliminação. Calcule com: Giro = CMV do período ÷ Estoque médio do período.

Três ações em ordem de prioridade: negociar devolução ao distribuidor para produtos com mais de 3 meses de validade e nota fiscal (a maioria aceita); criar encarte de oferta com desconto para girar antes do vencimento (o custo do desconto é menor que o descarte); e registrar o descarte como custo de falha de processo de controle, não de mercado, para tratar a causa na revisão da curva ABC. Produto vencido é evidência de compra acima do estoque máximo ou de Classe C com giro insuficiente.

Três opções por porte: planilha com atualização manual para bases de até 100 SKUs (sem alertas automáticos, exige disciplina); sistema de gestão farmacêutica com PDV integrado ao estoque como Trier, Nexodata ou FastPharm, custo de R$ 200 a R$ 500/mês (atualização automática por venda, alertas de ponto de reposição configuráveis); e sistema com curva ABC automática e gestão de compras para operações acima de R$ 100.000/mês. Para qualquer farmácia acima de R$ 40.000/mês, o sistema com PDV integrado se paga nos primeiros 2 a 3 meses pela redução de ruptura e de excesso.

Ruptura e excesso são sintomas do mesmo problema: decisão de compra sem dado. A farmácia que implementa curva ABC, ponto de reposição e estoque máximo para seus produtos Classe A nos próximos 30 dias vai descobrir que estava perdendo vendas e imobilizando capital ao mesmo tempo, e que os dois problemas tinham solução no mesmo sistema.

A Consultoria Symbol implementa os três componentes com os dados reais da operação: classifica o mix pela curva ABC, calcula o ponto de reposição dos principais produtos e configura o estoque máximo, entregando um sistema de compra baseado em dado.

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